A dor dos outros

A dor dos outros

Daniel Medeiros*

Hannah Arendt dizia que a "bondade só pode existir quando não é percebida, nem mesmo por aquele que a faz; quem quer que se veja a si mesmo no ato de fazer uma boa obra deixa de ser bom.” A bondade é uma atitude que fica presa no corpo do autor - que não se reconhece como tal - e seus efeitos vão sendo espalhados sem assinatura, sem indicação de origem. Da mesma forma, a dor que sentimos também não é algo compartilhável com o mundo. Não há como expressá-la sem se valer de muitos subterfúgios e, mesmo assim, quando tentamos, o resultado é só uma tênue sombra do que foi vivido.

A dor que se anuncia é a expressão de algo tão subjetivo, tão próprio, tão privado (é uma privação), que não há como reconhecê-la naquilo que se diz ser ela. Toda manifestação pública da dor tende a se tornar algo caricato, o ricto e os gritos e os movimentos do corpo chegam a causar um certo desconforto e afastam as pessoas - ou as aproxima, mas por curiosidade. Não há nada que se possa dizer diante da dor dos outros e quando, mesmo assim, falamos, tudo parece menos do que o mínimo necessário.

É estranho, mas mesmo quando temos consciência de que falar não é necessário, não conseguimos refrear a lamentação pela dor alheia, assim como também agradecer pelos atos de bondade. É difícil compreender e aceitar que só é possível comunicar o que já experimentamos e a dor não se traduz por palavras ou gestos convencionais. O silêncio é o único discurso possível da dor.

Na pandemia, os noticiários informam diariamente sobre os mortos e sobre o drama dos casos graves, além das reportagens ouvindo os que lutam contra a doença. Há os que exigem que também sejam publicadas informações sobre as curas e, com isso, tentam forçar uma normalidade que permitiria a retomada das atividades laborais. Mas nenhum desses esforços de informação chega perto do que se passa com as pessoas afetadas, porque o que se passa com elas não é comunicável.

Os números, alinhados, sobrepostos, expostos em percentuais, emoldurando gráficos e mapas, falam sobre algo voltado para orientar as políticas públicas e as ações de prevenção. Mas não alcançam o que sentiu o homem que morreu sem ar, a filha que não viu o pai voltar para casa, a mãe que enterrou o filho sem poder dar um último abraço. Essa energia da dor satura o ar, entranha-se nas ranhuras das casas, percorre centenas de quilômetros, em todas as direções e, no momento em que falamos sobre elas, desvanecem-se. Faz-se noticiário das mortes. Não da dor.

Quando o jornal diz que agora são cem mil os mortos, não há um salto de dor, uma elevação do grau do sofrimento, como se a cada mil, dez mil, a dor também se intensificasse. Esses números deveriam gerar raiva, inconformismo - esses sim, sentimentos úteis, porque instruem nossas decisões, quando a razão identifica os responsáveis pelos erros públicos que contribuíram para essa carnificina. Joseph Stalin, um dos maiores assassinos da humanidade, dizia que uma pessoa morta era uma tragédia; um milhão de pessoas mortas, uma estatística. Ele entendia de violência e de como os números são capazes de escondê-la. É no drama pessoal, privado, único e irrepetível que a dor ecoa.

Apenas os poetas, os artistas, os músicos, conseguem trazer à superfície um vislumbre de sua face. Por isso, eles deveriam, pelo menos alguns dias na semana, substituir os jornalistas de ares sisudos, e recitarem um verso, assobiarem uma canção, esboçarem uma cena em giz ou carvão. E depois deixar o silêncio conectar as dores dos outros às nossas próprias experiências, momento em que se revela o indizível, que precisamos compreender e suportar, para continuarmos vivendo.

* Daniel Medeiros é doutor em Educação Histórica e professor no Curso Positivo

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COVID-19: como a alimentação adequada pode diminuir os riscos associados à doença

 

 

 

COVID-19: como a alimentação adequada pode diminuir os riscos associados à doença

Alimentos anti-inflamatórios e bons hábitos alimentares podem ser grandes aliados da população na prevenção e combate ao novo coronavírus

A obesidade e o sobrepeso acometem 600 milhões de adultos e 100 milhões de crianças ao redor do mundo, causando 4 milhões de mortes por ano. No Brasil, já atinge um em cada cinco habitantes, sendo que mais da metade da população está acima do peso normal. “A falta de cuidado com a alimentação veio cobrar seu preço. A obesidade por si mesmo já é considerada uma pandemia, apesar de não ser uma doença contagiosa, ela é uma doença crônica que também precisa ser combatida com afinco pelas autoridades de saúde pública”, enfatiza Angela Federau, nutricionista.

A dieta ocidental prejudica a imunidade adaptativa

A alta taxa de consumo de alimentos ricos em gorduras saturadas, açúcares e carboidratos refinados em todo o mundo, contribui para a ocorrência de obesidade e diabetes tipo 2. Segundo estudo recentemente publicado pela Elsevier, o consumo desses alimentos expõe ainda mais essa população ao risco de desenvolver a forma mais grave da COVID-19. Isso acontece porque a dieta ocidental ativa o sistema imune inato e prejudica a imunidade adaptativa, levando à inflamação periférica causada pela ação do novo coronavírus.

Além disso, o estudo aponta que a inflamação crônica, causada pela obesidade e diabetes, aliada à inflamação periférica decorrente da COVID-19 pode ter consequências médicas crônicas a longo prazo. Mesmo os pacientes recuperados podem apresentar demência e outras doenças neurodegenerativas, por exemplo, devido aos mecanismos neuro inflamatórios que podem ser agravados por uma dieta não saudável. “Agora mais do que nunca, o amplo acesso a alimentos saudáveis deve ser uma prioridade e as pessoas devem estar atentas aos hábitos alimentares saudáveis para reduzir a suscetibilidade de contágio e complicações decorrentes da COVID-19”, explica a nutricionista.

A nutricionista lista alguns alimentos anti-inflamatórios que podem ser acrescentados às refeições diárias:

• Frutas como uva, abacate, limão, maçã, abacaxi, coco, manga, caju, açaí e guaraná.

• Temperos como alho, gengibre, pimenta vermelha, alecrim, açafrão-da-terra, sálvia, orégano, cravo, canela e louro.

• Verduras e legumes como brócolis, pimentão vermelho, cebola, tomate, abóbora, beterraba, espinafre, rúcula, batata doce roxa e manjericão.

Além disso, Angela Federau recomenda alguns cuidados nutricionais que mantém o sistema imune em dia:

Procure variaras cores dos vegetais, frutas e legumes para garantir o aporte necessário de todos os nutrientes;

• Evite o consumo regular de alimentos processados e ultraprocessados, pois além de agregarem valor calórico, são ricos em sódio, conservantes e corantes e prejudicam a absorção de nutrientes;

• Aumente o consumo de alimentos ricos em vitamina C, presente principalmente nas frutas cítricas como laranja, limão, acerola, tangerina e abacaxi;

• Aposte nos alimentos ricos em vitamina A, que são importantes para a integridade das células de defesa. Essa vitamina pode ser encontrada facilmente em alimentos da cor vermelha e alaranjada como cenoura, abóbora, manga e tomate.

• Vitamina E ajuda a proteger as células de substâncias tóxicas. As fontes são: castanhas, amendoim, sementes de girassol e vegetais de cor verde escura;

• O Zinco, altamente relacionado ao sistema imune também não pode ficar de fora. O mineral é encontrado em carnes, laticínios, frutos do mar e cereais;

• Probióticos também são fundamentais, o consumo de alimentos como iogurtes naturais e kefir contribuem para o equilíbrio da microbiota intestinal e auxilia as células de defesa no combate a infecções;

• Uma boa hidratação é fundamental para favorecer a imunidade. A sugestão é de ingerir 30ml x kg (multiplique seu peso por 30 para calcular sua necessidade diária de água).

A nutricionista ainda ressalta que, além destas dicas, é importante manter uma boa rotina de sono, praticar atividades físicas regularmente e controlar o estresse.

Sobre Angela Federau

Angela Federau é nutricionista clínica (CRN-8: 5047), pós-graduada em fitoterapia aplicada à nutrição, especializada em nutrição funcional, pediátrica e escolar. Atua como professora de nutripediatria na pós-graduação de medicina da Faculdade Inspirar, participa como convidada de pesquisas científicas e genéticas da UFPR como o mapeamento e estudo genético da comunidade Menonita e é revisora de artigos científicos e textos para sites médicos. É palestrante, escritora de livros, artigos e colunas em jornais e revistas. Nutricionista responsável pela APSAM - Associação Paranaense Superando a Mielomeningocele. Além disso, a nutricionista é empresária do segmento alimentício e atua como parceira da Polícia Militar do Paraná e de clínicas de fertilidade.

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Ventura Shopping apoia campanha do agasalho do Sesc Paraná

 

 

 

Ventura Shopping apoia campanha do agasalho do Sesc Paraná

Doações podem ser feitas até 31 de agosto no empreendimento localizado no bairro Portão

Peças de roupas em bom estado podem ser doadas no Ventura Shopping, que apoia a campanha do agasalho realizada pelo Sesc PR. Com o mote “onde há calor, há mais vida”, o projeto social acontece desde 2009 e envolve o trabalho de equipes em 26 municípios do Paraná.

A iniciativa tem o compromisso de ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade social, e agora tem um propósito ainda mais especial, em virtude da pandemia. As doações de roupas femininas, masculinas, infantis, acessórios de inverno, calçados, cobertores, itens de cama, mesa e banho, de qualquer tamanho, em bom estado de conservação para o uso imediato podem ser feitas no setor verde do Ventura Shopping, até o dia 31 de agosto.

Para garantir o cuidado com a saúde e minimizar a propagação do novo coronavírus, a logística de recolhimento, separação, triagem e destinação das doações seguirá às recomendações e determinações de segurança e higiene dos órgãos oficiais, como o Ministério da Saúde, Secretaria Estadual de Saúde e Secretaria Municipal de Saúde.

Serviço:

Apoio do Ventura Shopping na campanha do agasalho do Sesc PR

Data: até 31 de agosto

Local: setor verde, em frente à Bumerang Brinquedos

Endereço: R. Itacolomi, 292 - Portão - Curitiba/PR

 

 

 

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Pedro Oldoni lança seu primeiro e-book sobre desafios da carreira no futebol

 

 

 

Pedro Oldoni lança seu primeiro e-book sobre desafios da carreira no futebol

Ex-jogador de Athletico e clubes do Brasil e do exterior atua como intermediário futebol

O ex-atacante do Athletico-PR, Pedro Oldoni, agora intermediário de futebol, alcançou os 10k no Instagram. E para comemorar, o ex-atleta lançou seu primeiro e-book “Como Chegar Mais Perto do Sonho de Ser Jogador Profissional”. Nele, Pedro conta detalhes fundamentais para o sucesso na carreira de jogador, além das principais dificuldades. O intermediário de futebol ainda deixa dicas para quem deseja seguir a carreira no esporte e mostra que os caminhos dentro do futebol vão muito além de ser jogador.

“Estive no dia a dia do futebol profissional no Brasil e no exterior e pude perceber que existem outras carreiras de sucesso dentro do esporte porque como as estatísticas mostram apenas 2% vão se tornar atletas profissionais e viver disso. Você tem de sim lutar para ser essa minoria, mas saber também que se isso por acaso não acontecer, nos clubes também existem outras profissões que a maioria deles tentaram ser atletas e não conseguiram, mas que são realizados e consagrados em funções como, treinadores, preparadores físicos, fisiologistas, fisioterapeutas, médicos, nutricionistas, psicólogos, advogados, jornalistas, publicitários, dentre outros profissionais que fazem parte do staff da estrutura de um departamento de futebol”, ressalta Oldoni, que procura sempre destaca a importância de três pilares: corpo, alma e espírito.

O e-book “Como Chegar Mais Perto do Sonho de Ser Jogador Profissional” faz parte de uma campanha no Instagram de Pedro Oldoni (@pedrooldoni) e para recebê-lo é preciso seguir as instruções na post sobre os 10k do perfil.

Sobre Pedro Oldoni

Pedro Oldoni é ex-atleta profissional de futebol. Atuou em clubes do Brasil e do exterior, como Athletico Paranaense, Real Valladolid (Espanha), Atlético Mineiro, Nacional (Portugal), Vitória-BA , Sivasspor (Turquia), Portuguesa, Al Dhaid (Emirados Árabes) e Anapolina-GO. Pedro Oldoni atua como agente de atletas profissionais. Em seu trabalho ele cultiva três pilares fundamentais: espírito, alma e corpo.

Pedro Oldoni nas redes sociais

Instagram - https://www.instagram.com/pedrooldoni/

Youtube https://www.youtube.com/channel/UCNYHRnWO2qyiR0xFR79VPdQ 

 

 

 

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Designchair registra aumento de 50% em vendas durante a pandemia

 

 

 

Designchair registra aumento de 50% em vendas durante a pandemia

Busca por cadeiras de escritório cresceu 417% nesse período

A pandemia da COVID-19 trouxe uma nova realidade para os profissionais de diversas áreas: o home office. Porém, muitas casas não estavam estruturadas com um local adequado para o trabalho. Um ambiente apropriado garante a produtividade em dia, mas, principalmente, a saúde dos profissionais. O site e aplicativo OLX percebeu que cadeira de escritório foi o item mais procurado no Brasil, com aumento de 417% nas buscas, em relação ao período pré-pandemia.

A Designchair, empresa que faz parte do Grupo Arquitetizze, registrou aumento de 50% nas vendas no segmento online e vendas corporativas da empresa, tendo a necessidade de aumentar em 30% o quadro de colaboradores direcionados para as vendas online.

“Desde o início da pandemia, as vendas superaram as expectativas, tanto para pessoas que estão adaptando suas casas para o trabalho, quanto para empresas que estão fornecendo o equipamento para seus colaboradores”, afirma o diretor da Designchair, Franklin Freiberger. Nesse ano, foram duas mil cadeiras vendidas a mais, comparado com as vendas de março a junho de 2019.

Entre os meses de março e junho de 2020, com a pandemia da COVID-19, a empresa chegou a vender, mensalmente, 550 cadeiras a mais, comparado com os meses anteriores. “A expectativa é manter esse crescimento e fechar o ano com um faturamento de R$14,5 milhões, crescimento de 20% comparado ao ano anterior”, espera Freiberger.

Muitas vezes, passamos mais tempo na cadeira de escritório do que no sofá ou na própria cama. Quando escolhemos um colchão, levamos em conta o conforto e ergonomia, para que o corpo tenha seu descanso merecido durante a noite de sono. E para a cadeira de escritório não pode ser diferente. “A dica é aliar a estabilidade, proporção e desempenho, com a maior possibilidade de ajustes. Braços, rodízios, altura e inclinação do encosto, altura do assento e dos braços precisam ser ajustados para um resultado mais ergonômico”, afirma Freiberger.

Uma cadeira mal adaptada ao usuário pode acarretar problemas na coluna, ombros, pescoço e braços. Uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), apontou que dos 41% dos 44 mil entrevistados passaram a sentir dores nas costas na pandemia.

Confira as dicas do especialista para escolher o modelo certo:

- Pernas: as pernas e cintura devem ficar totalmente apoiadas, o que evita tensão nos músculos e não repuxa a coluna. Os joelhos devem ficar dobrados e relaxados em 90º com relação ao assento;

-Braços: cadeiras com regulagem na altura dos braços fornecem melhor posicionamento e também proporcionam maior possibilidade de encaixar a cadeira na mesa. O ideal é quando os cotovelos ficam apoiados e as mãos estão no nível do teclado;

- Pés: é preciso usar a regulagem de altura para que os pés fiquem totalmente apoiados no chão. Se não for possível, é indicado usar um apoio fixo para o descanso dos pés.

Sobre o Grupo Arquitetizze

Design inovador e produtos de qualidade - essa é a premissa do Grupo Arquitetizze, referência em sua área de atuação desde 2011. O grupo engloba a Arquitetizze, especializada em venda e importação de lustres, e a Designchair - ícone no mercado de cadeiras para escritório e decorativas. Com sede em Pinhais, no Paraná, e Araquari em Santa Catarina, o Grupo atuatambém na importação e comercialização de produtos inovadores de diferentes segmentos.

 

 

 

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