‘Desafios e oportunidades em tempos de crise’ é capa da Revista Corretora do Futuro

‘Desafios e oportunidades em tempos de crise’ é capa da Revista Corretora do Futuro

A 32ª edição da Revista Corretora do Futuro traz, como matéria de capa, os ‘Desafios e oportunidades em tempos de crise’. Após esses primeiros meses de adaptações, a Rede Lojacorr, maior rede de corretoras de seguros independentes do País e responsável pela revista, mostra que com bastante esforço, criatividade, análises e pensamento resiliente, é possível manter o ritmo de trabalho, de produção, crescer e criar alternativas de sucesso. Entretanto, para que as ações deem resultado, é necessário entender que o tempo das coisas mudou bastante, que os formatos hoje são bem mais híbridos e que erros podem ocorrer. Mas essa matéria de capa aponta que todas as áreas podem trabalhar em sinergia para desenvolver projetos que façam a Rede crescer em todo o Brasil.

A revista traz ainda a importância do equilíbrio emocional e da comunicação assertiva; conteúdos ricos sobre seguro para médicos, telemedicina e seguro garantia; novas parcerias e inovações no atendimento às corretoras, além do impulsionamento dos negócios da empresa, novos projetos e aceleração digital da Rede. A entrevista exclusiva ficou por conta da CEO da AXA no Brasil, Erika Medici, que trata dos desafios, realizações e como a diversidade é fundamental para uma grande empresa. Essa edição possui ainda conteúdo produzidos por articulistas especializados, como o palestrante e cofundador da plataforma AAA Inovação, Allan Costa, que aborda “Consequências não-óbvias da crise.

A revista é institucional e já está em sua 32ª edição e possui 72 páginas. Tem o projeto gráfico e diagramação realizado pela Ctrl S Comunicação, Ana Clara Baptistella, como Jornalista Responsável e Diretor Comercial, Geniomar Pereira. São impressos cinco mil exemplares, distribuídos gratuitamente para todos os integrantes da Rede Lojacorr e para o mercado segurador. Além da versão digital, por meio do leitor digital https://bit.ly/32RevistaCorretoradoFuturo ou por meio do aplicativo, disponível para Google play: https://goo.gl/Z9VBHo e Apple: https://goo.gl/UiCAGY

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Principais Startups do Brasil se unem para campeonato de Counter Strike, o famoso jogo de tiro online

Principais Startups do Brasil se unem para campeonato de Counter Strike, o famoso jogo de tiro online

Tecnofit, Ebanx e Olist são algumas das empresas que estão inscritas no 1º Startup Challenge, evento de esporte eletrônico (e-Sports) que visa promover um momento de descontração durante a quarentena.

A empresa de gestão Fitness, Tecnofit, promove o primeiro campeonato entre startups brasileiras de Counter-Strike: Global Offensive (CS:GO), um jogo muito popular entre as empresas de tecnologia. O evento online, que acontece entre os dias 05 e 29 de agosto, tem o intuito de promover uma confraternização neste período de isolamento e ainda ajudar a melhorar o bem-estar dos colaboradores, assim como fortalecer a união das startups em todo o país.

As startups participantes são a Tecnofit, EBANX, Olist, Madeira Madeira, Pipefy, Phonetrack, Leads2b, Doctoralia, Logcomex, 5A, Exati, Credpago, Mercafacil, Snowlabs e Prime Control. Todas as rodadas dos jogos serão transmitidas pelos times para as empresas envolvidas e a final terá transmissão ao vivo para o público, com data prevista para o dia 29 de agosto, em que a equipe campeã levará o troféu do Startup Challenge 2020. "Organizamos a competição com base em regras de campeonatos profissionais e tivemos equipes inscritas de alto nível. A proporção que esta ação tomou nos surpreendeu positivamente. Esperamos que a iniciativa seja muito divertida e que fortaleça ainda mais os laços entre as empresas", conta Fellipe Mattos, COO da Tecnofit.

O Startup Challenge tem apoio da Secretaria de Inovação do Estado do Paraná e reunirá mais de 20 equipes com 5 integrantes de startups de tecnologia do país. O campeonato de CS:GO acontecerá por meio do servidor FACEIT, que é uma das plataformas líderes de jogos competitivos, e serão de 2 a 3 partidas por semana até o fim da competição. Segundo o COO da Tecnofit, a organização do campeonato preza por um ambiente de harmonia e muita união, apesar da rivalidade no game.

"Acreditamos que esse campeonato será uma boa iniciativa para engajar as empresas e permitir um momento de descontração. A Tecnofit preza por isso e está muito feliz de lançar esse evento entre startups de tecnologias, promovendo ainda mais interação entre as equipes" finaliza Fellipe Mattos.

Sobre o game

O Counter-Strike é um jogo de tiro online e está entre os games mais jogados no mundo. Ele funciona por meio de combates entre equipes e as funções do game são basicamente armar e desarmar bombas, ou sequestrar e salvar reféns. O intuito do CS é que o combate se encerre com a eliminação de um dos times, mas no campeonato todas as equipes jogarão entre elas, portanto a eliminação não acontecerá na primeira rodada.

CS:GO Startups Challenge 2020

Data: 05 a 29 de agosto

Dias de jogos: quarta-feira, sexta-feira e/ou sábado

Plataforma: FACEIT - https://www.faceit.com/

A final será transmitida ao público no dia 29 de agosto, a partir das 17h00, e no canal aberto Twitch TV

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Dicas para uma alimentação nutritiva com baixo custo

Dicas para uma alimentação nutritiva com baixo custo

Com a pandemia do Covid 19, a sociedade está também passando por problemas econômicos graves. A alimentação saudável e adequada é um direito humano básico, porém, em momentos de crise, esse direito está ameaçado e é necessário planejamento para garantir comida de qualidade na mesa. É importante saber aproveitar os alimentos de forma integral para extrair alto valor nutricional com o menor custo possível.

A nutricionista Andrea Tarzia (CRN-8 1540) garante que, para comer de maneira saudável, não é preciso gastar muito. Ela, que é coordenadora do Curso de Nutrição da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) e já atuou como nutricionista responsável técnica do Restaurante Universitário da UFPR, explica que uma alimentação saudável é aquela preparada com alimentos variados e nutritivos. “Por meio da escolha adequada dos alimentos durante as compras, pode-se fazer uma alimentação saudável com baixo custo. Foque em alimentos saudáveis e nutritivos, deixando de lado os ultraprocessados, como salgadinhos, bolachas, refrigerantes e enlatados. Prefira produtos in natura ou minimamente processados, de origem vegetal, como arroz, feijão, macarrão, farinhas, batata, aipim, frutas, verduras e legumes, e animal, ou seja, carnes, ovos, leites e derivados”.

Andrea alerta para a necessidade de priorizar produtos da época, ajuda muito na relação custo/benefício, pois são mais baratos e nutritivos, e lembra que para, montar uma refeição saudável, a regra básica é colorir bem o prato e não repetir sempre o mesmo alimento. “Quanto mais colorido for o prato, maior a variedade de nutrientes, antioxidantes e fibras”.

Planejar é importante – Outra dica é conseguir tempo para preparar a própria comida e fazer um planejamento básico. “Planeje as refeições da semana toda e faça as compras necessárias de acordo com esse cardápio. Para isso, faça uma lista de compras contendo a relação dos alimentos que você vai usar e as quantidades que precisa de cada produto. Quando estiver fazendo a lista, verifique o que você tem em casa, isto facilita na hora de comprar e também na hora de preparar a comida. Na hora das compras, compre somente o que está na lista e o que irá utilizar em curto período de tempo, pois os alimentos podem estragar, levando ao desperdício”.

Evitar desperdício – A forma mais comum de desperdício na alimentação é o descarte de partes como talos, cascas, sementes, folhas e flores de frutas, verduras e legumes. Todas as partes desses alimentos, contém algum tipo de nutriente e, às vezes, são até mais nutritivos do que as partes que estamos habituados a comer. “Vitaminas, minerais, fibras e até proteínas acabam indo para o lixo por falta de conhecimento do consumidor. O aproveitamento integral dos alimentos é uma alternativa que pode contribuir para melhorar o valor nutricional e econômico dos alimentos, desse modo, é possível alimentar um número maior de pessoas e enriquecer nutricionalmente o cardápio”, afirma a nutricionista.

O fato é que o aproveitamento integral de alimentos, como prática de promoção de saúde, é possível por meio da criação de novas receitas como sucos, doces, geleias e farinhas. “Para o uso integral dos alimentos, só é preciso um pouco menos de preconceito e mais imaginação! Podemos aproveitar o todo das frutas, verduras e legumes nas preparações. Cascas, talos, sementes, folhas e flores podem ser utilizadas em preparações como saladas, docinhos, doces em pasta, arroz, nhoque, croquetes, pães, torta salgada, bolos, refogados, farofas, feijão, petiscos, panquecas, picles, macarrão etc.”, ensina Andrea.

Composição do cardápio - O cardápio diário deve ser composto por cinco a seis refeições, sendo duas principais, o almoço e o jantar, e três a quatro pequenos lanches, café da manhã, colação, merenda e ceia. Nas refeições principais, a combinação arroz e feijão é uma ótima opção. “Esses dois alimentos formam uma combinação nutritiva e proteica. O arroz pode ser substituído pelo macarrão, batata doce, batata inglesa, mandioquinha, aipim, fubá, farinhas, cará, inhame, etc. E, no lugar do feijão, também podemos incluir outras leguminosas como lentilha, grão-de-bico e ervilha.”

Carnes magras e baratas podem render refeições deliciosas e nutritivas, como ensopados, cozidos, assados e grelhados e atender a necessidade de proteínas. O ovo é um alimento mais barato do que a carne e, como é rico em proteínas, vitaminas e minerais, pode ser uma opção em relação à carne, diz Andrea, que chama a atenção para a inclusão diária de frutas, verduras e legumes na alimentação. “Durante o ano, entre as frutas com menor preço encontram-se a banana, a maçã, a laranja e o mamão. Porém, no mês de julho, podemos aproveitar para incluir na nossa alimentação as frutas, verduras e legumes que estão com boa oferta e tendência de queda de preço como abacate, mexerica, tangerina, kiwi, laranja, morango, pera, agrião, alho-poró, chicória, couve, couve-flor, espinafre, mostarda, brócolis, salsão, batata-doce, mandioca, rabanete, cenoura, abóbora, cará, mandioquinha, milho-verde, nabo, palmito e pepino”.

Tomando em conta as importantes dicas oferecidas pela nutricionista Andrea Tarzia, podemos perceber que a boa alimentação, com potencial nutritivo e variedade de sabor, é possível. Com um planejamento básico, sabendo escolher bem os produtos a serem consumidos e aproveitando integralmente os alimentos, ninguém fica com fome ou gasta demais. E nunca é demais lembrar que uma boa alimentação é fundamental para o bem estar, com um organismo saudável e protegido contra os adoecimentos e seus males diversos.

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Pesquisa mostra que o uso de detergentes verdes pode economizar 50 mil toneladas de químicos anualmente no planeta

Pesquisa mostra que o uso de detergentes verdes pode economizar 50 mil toneladas de químicos anualmente no planeta

Tem-se estimado que poderão ser economizadas as emissões de nove gramas de CO2 em cada lavagem se enzimas substituírem 30% dos surfactantes. Isso corresponde à emissão de CO2 de 45.000 mil carros.

 

Um estudo conduzido pela Novozymes retrata os cenários positivos para as indústrias, meio ambiente e consumidores quando a opção é produzir, desenvolver e disponibilizar para o mercado detergentes mais verdes, com a ajuda das enzimas. O apelo por detergentes biológicos para roupas é global e cresce a cada dia. A pesquisa desenvolvida pela empresa foi concluída no último mês de junho, com o objetivo de demonstrar como a substituição de surfactantes por enzimas, em um detergente, é melhor para o meio ambiente, para a economia e para a limpeza de manchas em tecidos.

 

O cenário escolhido para o desenvolvimento do estudo “Permitindo detergentes mais verdes com enzimas – melhor para a limpeza, o planeja e os negócios” foi a América Latina, que vem utilizando com sucesso tecnologias enzimáticas das mais avançadas da atualidade.

Atualmente, muitos detergentes ainda utilizam agentes ativos em superfícies, ou seja, surfactantes, como um aditivo voltado à missão de retirar manchas. Esses componentes químicos podem ser substituídos, com muito sucesso, pelas enzimas, que são agentes catalizadores naturais e biológicos que têm a mesma missão (e muitas outras possíveis) e são mais benéficos para o meio ambiente.

Detalhes do estudo

No estudo científico realizado, foram separados 4 tipos de detergentes de roupas: o detergente A (produto convencional com enzima única); detergente B (mesmo que o A, exceto que o teor de surfactante está reduzido em 30%); detergente C (mesmo que o B, exceto que o uso enzimático é estendido para cinco enzimas diferentes); e o detergente D (mesmo que o C, exceto que o teor de surfactante está menor [45% de A] é que se acrescenta uma mistura forte de cinco enzimas).

Foram realizadas 12 lavagens para demonstrar o efeito da substituição do surfactante na remoção de manchas. Elas foram realizadas em escala completa, em lavadoras automáticas de carga máxima, com três repetições: 25ºC, 15 minutos de lavagem principal, 27 minutos de saturação, 41L de volume da lavagem, 2 enxágues, 2kg de lastro, 5,6º dH de dureza da água; além disso, utilizando 82g de detergente por lavagem. Ou seja: as condições de lavagem que lembram os hábitos de higienização de roupas em muitos lares da América Latina.

Usou-se um conjunto abrangente de manchas para cobrir uma ampla faixa de desempenho de lavagem, pois as enzimas e os surfactantes atuam de forma diferente nos diversos tipos de manchas. O conjunto foi composto por 36 manchas e objetivou contemplar as manchas mais comumente conhecidas pelos consumidores da América Latina.

Todas as amostras usadas nos experimentos de lavagem foram secadas ao ar livre, durante à noite, após a lavagem. Mediu-se a remissão das amostras secas em 460nm, utilizando-se um refletômetro Datacolor.

O resultado do estudo foi positivo para demonstrar a melhora na remoção média de manchas ricas em proteínas, em amido, em manano, bem como nas mistas, pois as enzimas específicas atuam nessas manchas de modo bastante eficaz.

Globalmente e na maioria das manchas, foi observado uma melhora do desempenho de lavagem com o detergente rico em enzimas, com 30% menos surfactante. Mesmo com uma redução de 45% de surfactante, o detergente superou o desempenho em todos os grupos de manchas, exceto no caso do grupo de manchas por lipídeos.

Benefícios econômicos na ampliação do uso de enzimas

O estudo também demonstra a economia obtida a partir da redução do uso de surfactantes nos detergentes e que essa redução pode ser reinvestida, com sucesso, na adição de enzimas ao detergente. Um exemplo apresentado na pesquisa é que, no caso de redução de 30% de surfactantes, os pesquisadores foram capazes de adicionar cinco enzimas diferentes (protease, amilase, lipase, mananase e celulase) em comparação com apenas uma enzima que estava presente no detergente convencional utilizado no estudo, e ainda atingiram uma economia de 20% no custo global da formulação.

A pesquisa mostra que quando se substituem surfactantes por enzimas pode-se reduzir a massa de ingredientes ativos do detergente, pois as enzimas são bastante eficazes, devido à sua natureza de catalisadora. Um dos detalhes do estudo demonstra que a quantidade de enzimas usadas é nove vezes mais baixa que o surfactante economizado quando se reduz o nível de surfactante em 30%. Isso significa que se pode economizar uma quantidade considerável de ingredientes em cada lavagem caso seja adotado um sistema enzimático de alta intensidade. Isso poderia beneficiar muitos formuladores de detergentes em termos de compactação de seus produtos para possibilitar a distribuição em linha e economizar custos em embalagens, transporte e armazenamento.

Detergentes mais verdes: anseio ambiental global

Entre os desafios – e anseios – globais da atualidade está a produção e disponibilização de detergentes mais verdes, ou seja: que sejam mais econômicos, eficientes e causem menor impacto ambiental, seja ele hídrico ou climático. Esse desafio global é o que impulsiona a Novozymes em suas pesquisas e desenvolvimento. No segmento de detergentes não é diferente, já que esses produtos são usados por bilhões de pessoas diariamente, e grandes quantidades de ingredientes de detergentes são produzidas, transportadas e armazenadas por toda cadeia produtiva todos os anos.

Atualmente, o número total de lavagens de roupas, em lares particulares na América Latina, é estimado em aproximadamente 25 bilhões. “Se, digamos, 50% de todas as lavagens de roupas na América Latina forem realizadas utilizando detergentes ricos em enzimas, com 30% menos de surfactantes, isso levaria a uma economia de 50.000 toneladas de produtos químicos anualmente para o planeta. Fato que corresponde à carga de aproximadamente 2 mil caminhões”, explica a gerente de sustentabilidade da Novozymes, Angela Fey.

Tem-se estimado, também, que poderão ser economizados nove gramas de CO2 em cada lavagem se enzimas substituírem 30% dos surfactantes. “Nove gramas de CO2 pode não parecer muito, mas isso poderá se somar a um impacto positivo substancial no clima caso formuladores adotem o conceito e muitas pessoas comecem a lavar roupas com detergente rico em enzimas, ao invés de detergentes que lembram os produtos convencionais utilizados no experimento”, comenta. E, como exemplo, os lares latino-americanos poderão economizar 110.000 toneladas de CO2 anualmente caso usem detergentes ricos em enzimas em 50% das lavagens de roupas ao invés de detergentes convencionais. “Isso corresponde às emissões anuais de CO2 de aproximadamente 45.000 carros”, diz.

Menor impacto no setor hídrico

O estudo revela uma estimativa, também, de diminuição de impacto no setor hídrico, um dos problemas climáticos mais preocupantes da atualidade. O experimento estima que se poderá economizar uma toxicidade aquática correspondente a 5,2m² de água de diluição por lavagem caso as enzimas substituam os surfactantes. “Com aproximadamente 25 bilhões de lavagens de roupas, anualmente, em lares da América Latina, isso se soma a economias totais de 65 bilhões de m³ de água de diluição anualmente, caso 50% das lavagens de roupas tenham usado um detergente com mais enzimas e menos surfactantes. Isso corresponde a um cubo de água limpa de quase 4km em cada lado”, destaca.

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Não se educa calando

Não se educa calando

Daniel Medeiros*

Estudei no colégio militar de Fortaleza, entre 1975 e 1981. Antes, fiz o Fundamental I na escola municipal Jenny Gomes, no bairro Aerolândia. A mudança de uma escola para a outra foi parecida com a sensação que hoje tenho ao tirar um sapato de festa, depois de horas em pé. Poucas vezes repeti a alegria de ver meu nome na lista dos aprovados. O colégio militar, para um filho de sargento da aeronáutica e de uma dona de casa, era um luxo que poucos alcançavam, pois o número de vagas era pequeno e a concorrência enorme. No meu ano de ingresso, éramos 23 alunos por vaga. Com 11 anos de idade foi uma experiência e tanto e, devo dizer, nada agradável.

Minha experiência no colégio militar divide-se em duas partes claras e distintas. A parte formadora foi resultado da excelência de vários professores, da biblioteca enorme, dos espaços verdes (havia até um minizoológico dentro da escola), do ensino integral e dos colegas que me ajudaram muito a conviver e superar as dificuldades. A parte deformadora, resultado da disciplina excessiva, das punições desnecessárias, dos exercícios repetitivos, sem criatividade, e das regras bobas como o corte de cabelo, os sapatos e fivelas dos cintos brilhantes, e do medo de contrariar as regras bobas, cujo grau de exigência variava de comandante para comandante e, muitas vezes, de dia para dia, dependendo do humor dos que mandavam em nós.

A parte produtiva e formadora da minha experiência com o colégio militar foi resultado daquilo que é próprio ou deveria ser próprio em uma escola: profissionais adequados, ambiente planejado, laboratórios, materiais modernos, biblioteca atualizada, poucos alunos na sala, carga horária compatível com as exigências de aprendizado. E aí a conclusão óbvia: se todas as escolas públicas tivessem uma estrutura como a que eu tive no colégio militar, a educação no Brasil seria muito diferente. Pobre Jenny Gomes, a escola municipal que eu frequentei até a quarta série, nem dicionário tinha. Uma tristeza, apesar dos esforços dos professores em compensar a falta de condições adequadas e o excesso de alunos e alunas. Logo, o colégio militar era muito bom - não por ser um colégio militar, mas por, principalmente, ser um colégio com muitos recursos.

Meu melhor professor, nesse período , foi um major do Exército, professor Albuquerque. Até hoje lembro dele e de como, graças a ele, tive contato com a Literatura e com muitos dos segredos da Língua Portuguesa. Ele era um homem gentil e muito atento com os alunos que mostravam alguma vocação, sempre estimulando, ouvindo, oferecendo mais leituras desafiadoras. Com ele, conheci a personagem Baleia, o sanatório de Simão Bacamarte e o cortiço de Bertoleza. Ainda hoje lembro, com emoção, a indicação de um livro enorme que ele me fez, dizendo: “sei que você já é capaz dessas leituras de maior fôlego”, entregando-me uma edição de Vinhas da Ira.

Hoje, acompanho pesaroso o apoio de muitos ao projeto de escolas cívico-militares, o discurso de que é preciso resgatar a disciplina nas escolas, os valores patrióticos e outras coisas mais, como se o benefício da escola fosse a disciplina, que é o poder dado a algum adulto para calar as crianças e os jovens, quando na verdade o que de fato gera aprendizado é a qualidade dos adultos em nos ouvir e depois falar para que os ouçamos, oferecendo-nos coisas com cuidado e carinho e não impondo-nos como quem sabe que não é bom e só com rudeza poderá ter sucesso.

Lembro-me agora do professor Teixeira, já avançado nos anos, pequenino e enrugado, que nos dava aulas de História no colégio militar. Civil, ia com um jaleco branco que se perdia bem abaixo de seus joelhos. Lembro-me que muitos meninos riam do jeito frágil e desconcertado dele. Mas bastaram poucas semanas para todos adorarem o professor Teixeira, pela narrativa maravilhosa de suas aulas, pela forma sempre educada com que se dirigia a cada um de nós, pela coerência de suas atitudes, pela compreensão por nossas falhas de jovens imberbes, imaturos. Ele era rigoroso, coerente e dedicado. Não tínhamos medo dele, porque o medo não educa. O medo só serve para nos afastar do mundo.

Essas são as lembranças que tenho do colégio militar, um período muito bom da minha vida, com exceção da parte na qual alguns imaginaram que poderiam me ensinar como quem quer ensinar pássaros a voar. Se as pessoas entendessem que educar é ouvir e estimular as pessoas a serem o que elas são, e não o que os adultos querem que elas sejam, seríamos um outro país. Major Albuquerque, professor Teixeira, os senhores entenderam isso. Não por serem militares ou serem civis, mas por serem adultos capazes de entender a obrigação dos adultos com os mais jovens.

* Daniel Medeiros é doutor em Educação Histórica e professor no Curso Positivo

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